Entre os terreiros e a Marquês de Sapucaí, os pretos-velhos e as pretas-velhas atravessam tempos como guardiões da memória, da resistência e da ancestralidade negra. Esta obra investiga como essas figuras centrais da umbanda são representadas nos sambas-enredo de escolas de samba do Rio de Janeiro entre 2018 e 2020, revelando camadas profundas de sentido que articulam religião, carnaval, política e identidade racial.A partir da análise das letras que marcaram o carnaval contemporâneo, o livro examina como os anciãos da umbanda ultrapassam leituras subalternizadas e emergem como símbolos de liberdade, sabedoria, mandinga e luta coletiva. Em diálogo com a memória da diáspora africana e com o contexto social e político brasileiro, a pesquisaevidencia o samba-enredo como espaço privilegiado de elaboração simbólica, pedagogia ancestral e afirmação afro-religiosa.Mais do que um estudo sobre representações, este livro é um convite a escutar as vozes que continuam ensinando a dobrar o sistema, reinventar a resistência e celebrar a vida.