O presente livro busca verificar a existência do conceito salamantino de direito das gentes no pensamento do Padre Antônio Vieira. Nos últimos trinta anos, muitos comentaristas já mostraram que o autor comungava de algumas teses de Salamanca, como a origem popular do poder e a igualdade natural dos seres humanos. Este trabalho procura demonstrar que o jesuíta compartilhava também da alteração conceptual do direito das gentes e a empregou para fundamentar tanto o seu projeto social sobre a escravidão no Novo Mundo, como a teoria política do Quinto Império. Mais do que isso, esse novo direito das gentes possibilitou a Vieira elaborar um verdadeiro projeto de paz perpétua com mais de um século de antecedência do discurso Kantiano.