Este livro não é um manifesto contra a tecnologia. Sua proposta é diferente. Recuperar,dentro de cada um, a possibilidade de retomar o controle sobre a própria vida. Lembraro caminho do faquir para fortalecer o corpo, sem se tornar prisioneiro da imagem. Usaro caminho do monge para educar as emoções, sem se afogar nelas. E seguir o caminhodo iogue para afiar a mente, sem se entregar ao culto da produtividade. Ao longo da história, muitas tradições tentaram mapear a vida humana a partir decaminhos de aprendizado: a via do coração, a via da mente, a via do corpo. Este livroretoma algumas dessas visões a partir de três arquétipos: o monge, o iogue e o faquir. Omonge representa nossa relação com as emoções. O iogue, a relação com a mente. E ofaquir, nosso modo de lidar com o corpo.Cada um de nós é atravessado por essas três tendências. Mas nem sempre elas estão emequilíbrio. Quem cultiva só o corpo sacrifica tudo em nome da performance física.Quem busca uma vivência emocional constante sacrifica tudo em nome de sensações. Oamante da mente faz sacrifícios em nome do intelecto. Em todos os casos, enquantouma parte se hipertrofia, outra também se atrofia, e o comando interno se perde.No mundo em que vivemos, esse desequilíbrio ganhou um aliado poderoso: atecnologia. Plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial aprenderam aconversar com o nosso faquir, com o nosso monge e com o nosso iogue ao mesmotempo. Entregam corpos ideais em imagens manipuladas. Entregam emoções que vêmembaladas em vídeos curtos, feeds e narrativas instantâneas. Entregam ideiasmastigadas, opiniões prontas, resumos superficiais do mundo.Com sua vasta experiência no debate sobre tecnologia, no Brasil e no exterior, e umconjunto de referências que ultrapassa em muito a tradição de pensamento Ocidental,Ronaldo Lemos fez um livro raro, capaz de unir erudição e experiência pessoal, casosexemplares e sugestões concretas, inteligência e generosidade.