Certa manhã, o assessor de colegiado Kovaliov desperta sem o nariz. Para sua surpresa, descobre em seu rosto apenas uma superfície perfeitamente lisa, como "uma panqueca recém-assada". Este é o improvável, porém genial, ponto de partida de O nariz, de Nikolai Gógol, um dos maiores clássicos da literatura russa do século XIX. Quando o órgão ganha vida e passa a circular por São Petersburgo vestido com uniforme e sendo tratado como autoridade, inicia-se uma sucessão de episódios cômicos e absurdos. Com seu humor mordaz e imaginação singular, Gógol transforma uma narrativa fantástica em crítica social, expondo a submissão às aparências, aos títulos e às hierarquias. Esta edição do livro também apresenta, pela primeira vez em uma publicação de O nariz, o libreto da ópera homônima do compositor russo Dmitri Shostakovich.Dois posfácios inéditos completam a edição: Arlete Cavaliere, ensaísta, tradutora e professora titular de teatro, arte e cultura russa na USP, explora a estética de Gógol, o contexto social e histórico da novela e sua repercussão; Irineu Franco Perpetuo, que também assina a tradução da obra e do libreto, investiga as conexões entre literatura e música ao colocar lado a lado Gógol e Shostakovich - escritor e compositor -, duas figuras fundamentais para os séculos XIX e XX e para a compreensão de O nariz.