"Minhas lembranças: eu as considero meus pequenos milagres de poesia."Escritor, dramaturgo e ativista renomado, João Silvério Trevisan reflete sobre a memória como uma formade resistência ao esquecimento. Partindo da própria trajetória, atravessada pela literatura e peladissidência, o autor mostra que recordar não é apenas olhar para trás, mas preservar experiências quecontinuam produzindo sentido no presente. A memória, aqui, surge como uma força viva, para além de umarquivo do passado, capaz de iluminar o presente e renovar os significados das histórias que contamossobre nós mesmos e sobre o mundo que habitamos.Em O que não se pode apagar, temas que atravessam a vida e a obra do autor - como o ato da escrita, avivência dos afetos e a luta por reconhecimento - ganham novos contornos. Ao revisitar alguns momentosdecisivos, de perdas e de conquistas em sua vida, João Silvério evidencia como as experiências individuaisse inscrevem na história de seu tempo. Sem nostalgia ou idealizações, o autor reafirma o valor de narrar aprópria experiência, reconhecendo nas memórias não apenas um abrigo, mas um modo de sobreviver eresistir diante daquilo que pode ser silenciado ou apagado.