Não sei ao certo o que retorna quando olho através da lente, mas há sempre algo que se move entre o visível e o pressentido. A mesma indefinição que nos habita é o que não separa a neblina das montanhas: aquilo que vemos, mas não compreendemos, aquilo que sentimos, mas não conseguimos dizer. As imagens nascem desse cruzamento. Não são provas do real, mas sim gestos de suspensão: um instante em que o mundo se aquieta, o ruído é interrompido e o silêncio emerge por trás de tudo. Como sugere Carolina Junqueira em seu texto, criar uma imagem é abrir um espaço entre camadas de tempo, onde algo possa surgir de novo.