Othoniel Motta - uma historiografia gramatical apresenta uma análise historiográfica e discursiva da produção literária, na primeira metade do século XX, desse sofisticado e profícuo gramático brasileiro. As obras para o ensino de Língua Portuguesa de Othoniel Motta tornaram-se muito relevantes, juntamente às de outros gramáticos protestantes, como Eduardo Carlos Pereira, tornando-se referenciais, inclusive, em âmbito nacional. Othoniel Motta não só foi divulgador de um modelo já estabelecido como também participou de um contexto transitório que, por assim dizer, trouxe consigo conflitos e modificações próprias das gêneses teóricas. A defesa de um modelo didático-pedagógico e a instauração de um novo método - o analítico, em contraposição ao sintético -, representou um avanço nos estudos da língua brasileira. Motta também se destacou muito no campo teológico, em razão de suas ideias polêmicas, próximas do liberalismo teológico, que o levaram ao rompimento com a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - IPIB. Este livro deseja apresentar o discurso gramatical e religioso de Othoniel Motta ao estudioso e interessado em modelos gramaticais que surgiram no Brasil a partir de 1920. Pretende, também, identificar as principais e fundamentais concepções linguísticas adotadas por ele, verificando a relação discursiva existente entre elas e as fontes teóricas e textuais primárias utilizadas em sua gramatização. Além disso, existe um apelo na obra para que a historiografia relacione-se bem com a análise do discurso, a fim de produzir leituras que abordem os aspectos históricos com análises que também sejam pedagógicas e políticas. Esta obra apresenta ainda a possibilidade de relacionar a produção gramaticológica de Othoniel Motta com as suas implicações na sociedade em geral e, particularmente, nas áreas da Educação e da Igreja, mantenedoras da ordem e do imaginário social.