Em "Pelo coração da Alemanha até a Áustria e a Suíça: um ano de aventuras de uma escritora americana na Europa germânica - 1877", Blanche Willis Howard apresenta uma narrativa de viagem e introspecção, resultado de suas experiências pela Europa durante um ano. A autora, encarregada por um jornal de Boston, documenta sua jornada com olhar aguçado e sensibilidade literária ao mesclar descrição detalhada e reflexão pessoal. A obra começa com a travessia transatlântica, descrita com vivacidade, entre o receio inicial e a transformação que ocorre ao se aproximar da costa europeia. Ao chegar a Hamburgo, Blanche Willis Howard registra o contraste entre o antigo e o moderno ao capturar paisagens urbanas, trajes populares e pequenas cenas do cotidiano com humor e empatia. O roteiro da viajante segue por cidades como Heidelberg, Baden-Baden, Stuttgart e diversas vilas no Württemberg. Ela percorre as florestas da Selva Negra, explora o Vale de Lenninger e visita o cenário pitoresco da região da Suábia, combinando memórias históricas - como a figura de Franciska von Hohenheim - com paisagens naturais desenhadas por detalhes sensoriais ricos. A autora também passa pela Baviera ao descrever Neu Schwanstein e a vida em Schattwald. As altas montanhas do Tirol, como o cume da Rigi, e as águas tranquilas do lago de Lucerna são retratadas com um senso poético, sugerindo sua própria transformação emocional diante do sublime. Eventos como o volkswagen (festival popular) em Cannstadt e momentos decelebração cultural se entrelaçam com reflexões sobre tradições, livros - inclusive de Freiligrath - e cerimônias fúnebres que denotam um olhar sensível à finitude da vida. A jornada culmina com a volta a Hamburgo ao encerrar o ciclo de autoconhecimento por meio da experiência do estrangeirismo e do contato com o diverso. O texto transita entre observações exteriores - paisagens, costumes, arquitetura - e introspecção, mostrando como a viagem molda o entendimento da eu-lírico e da memória. Ao longo de suas páginas, Blanche Willis Howard constrói, com clareza, um retrato da Europa do século XIX - um mosaico de cultura, naturalidade e história - que revela, simultaneamente, o mundo visto e o interior de quem vê.