Como Alê Motta consegue? Suas brevíssimas narrativas são sempre surpreendentes e reservam uma reviravolta para o leitor: as coisas nunca são exatamente o que parecem.E ela faz isso num espaço muito curto, com histórias que parecem pinceladas ficcionais - sinopses, quase -, mas onde se escondem universos inteiros. Sua linguagem é seca, direta, irônica. Não faz concessões a nenhuma forma de excesso. Mas numa frase ou numa fala os personagens encorpam, mostram-se reais e tangíveis.E costumam abalar nossas certezas de tal forma que, de repente, você se pega achando que até o cachorro do posto Shell talvez saiba mais sobre o mundo do que você.Adriana Lisboa