Ao esvaziar o apartamento da mãe morta em plena pandemia, Ana acredita que está apenas se livrando de tralhas - mas o que encontra é um museu de afetos que a obriga a revisitar toda a própria história, da infância marcada por ausências ao desamparo da maternidade vivida cedo demais. Entre caixas de documentos, uma urna de cinzas e uma vela rosa esquecida, ela recompõe lembranças falhas, revê violências naturalizadas, revisita o corpo em luto e descobre que, assim como as pitangas de sua infância, há experiências que foram colhidas verdes demais - e que agora exigem tempo para enfim amadurecer.? Com uma prosa íntima, afiada e profundamente sensível, Mariana Lobato Botter constrói uma narrativa em forma de processo terapêutico: ao limpar a casa da mãe, Ana limpa também a memória, confronta o abandono, questiona o ideal romântico da maternidade e tenta encontrar um lugar possível para ser filha, mãe e mulher.Vencedor do Concurso Literário Vila-Labrador, Pitangas Verdes é um romance sobre luto, lembrança e perdão, que retrata sem concessões as violências de gênero e as contradições da maternidade, sem abrir mão do amor que atravessa a relação entre mãe e filha. Leitura ideal para quem se interessa por narrativas de memória e reconstrução, o livro comove justamente porque fala de algo que conhecemos: o peso e a potência de ouvir, em meio ao caos, uma frase simples e rara - "Descansa, querida"."Uma sensível e contundente jornada pela memória. Mariana costura os tempos dos amores e relações, que, como no caso das pitangas, às vezes não amadurecem."- Mariana Salomão Carrara"O luto, as muitas violências de gênero, as agruras da maternidade. Mariana Lobato lança um olhar severo sobre a existência de uma mulher, um olhar a um só tempo agudo e real. Seu livro faz um retrato impiedoso do mundo, do qual no entanto não conseguimos nos afastar."- Julián Fuks"Delicado e intenso, este primeiro romance de Mariana Lobato Botter desconstrói corajosamente a ideia romântica que envolve a maternidade, sem com isso negar o amor que permeia uma relação tão forte e nada simples como a que envolve mãe e filha.Nesta história marcada por silêncios, a palavra dá forma ao que um dia foi impossibilidade e dá voz ao que já não precisa calar: percorrendo anos em dias, a narrativa mergulha nas lembranças e pensamentos da filha que, ao se despedir da mãe, consegue perdoá-la e se perdoar - também ela, a mãe que ainda precisa de tempo para amadurecer."- Silvana Tavano