"Ao mesmo tempo delicado e duro, este livro fala das agruras de mulheres que se tornam mães cedo demais - pitangas verdes - sem ter noção do que isso significa. ''''O que eu ia fazer com uma criança? De onde eu tinha tirado a ideia de ter um filho?'''', se pergunta Ana. Acompanhamos a personagem em uma espécie de processo terapêutico. Ao esvaziar o apartamento da mãe, falecida durante a pandemia, ela revive - agora como adulta - aspectos dolorosos da infância. Percorre o museu de sua vida com cada ''''cacareco'''' que sua mãe, curadora dos afetos, preservou.O processo prossegue graças à presença de um therapon - em grego, aquele que cuida - na figura de Marcia, uma motorista de Uber. Essa desconhecida a ajuda a dar um destino às cinzas da cremação à qual não pôde estar presente. Ao fim do percurso, Ana consegue ''''deixar num canto três décadas de abandono''''. O livro nos toca porque todas conhecemos o valor de uma frase dita por Marcia, tão simples quanto rara: ''''Descansa, querida''''."- Marion Minerbo"Uma sensível e contundente jornada pela memória. Mariana costura os tempos dos amores e relações, que, como no caso das pitangas, às vezes não amadurecem."- Mariana Salomão Carrara"O luto, as muitas violências de gênero, as agruras da maternidade. Mariana Lobato lança um olhar severo sobre a existência de uma mulher, um olhar a um só tempo agudo e real. Seu livro faz um retrato impiedoso do mundo, do qual no entanto não conseguimos nos afastar."- Julián Fuks"Delicado e intenso, este primeiro romance de Mariana Lobato Botter desconstrói corajosamente a ideia romântica que envolve a maternidade, sem com isso negar o amor que permeia uma relação tão forte e nada simples como a que envolve mãe e filha.Nesta história marcada por silêncios, a palavra dá forma ao que um dia foi impossibilidade e dá voz ao que já não precisa calar: percorrendo anos em dias, a narrativa mergulha nas lembranças e pensamentos da filha que, ao se despedir da mãe, consegue perdoá-la e se perdoar - também ela, a mãe que ainda precisa de tempo para amadurecer."- Silvana Tavano