Há livros que chegam como um sussurro, e há outros que irrompem como um chamado inadiável. Poder e Paridade: a crise democrática da representação feminina, de Tammy Fortunato, pertence a essa segunda categoria. Ele não apenas nos convida à reflexão:exige um posicionamento.O livro nasce de uma constatação dolorosa: a democracia, sem a plena participação das mulheres, carrega em si uma contradição estrutural. Pode um sistema político se autodenominar democrático quando mais da metade da população permanece sub-representada nas instâncias de decisão? A resposta parece óbvia, mas a realidade mostra o contrário. É nesse ponto que o texto ganha sua força: não se limita a denunciar a ausência feminina na política; expõe, com rigor analítico, as engrenagens constitucionais, sociais e culturais que perpetuam a desigualdade.