Ana mergulha profundamente em águas turvas ou serenas, com a simplicidade reconfortante de um pescador cujo único desejo é voltar do fundo com o alimento para sua família. E se o pão - ou melhor, o peixe - é alimento para o corpo, os poemas deste livro são decerto alimento para as almas. Um farol, não um manual de instruções, para se entender numa fase onde se descobrem tantos sentimentos, desejos e sensações que a um só tempo nos fascinam e nos apavoram.Escrevi estes poemas entre meus doze edezessete anos de idade. Conservam a ingenuidade da menina e da adolescente que fui. Eles me fazem lembrar os meus dilemas, medos, as minhas dúvidas, minha curiosidade pelo mundo, o sonho que me movia. A admiração que eu senti pelas mulheres que me educavam na escola, os conflitos íntimos da família. A descoberta do amor. A aurora da feminilidade. E os limites da imaturidade. Alguns poemas consertei, alguns melhorei, alguns reescrevi, mas são eles mesmos.