Organização: Katherine Funke Tradução: Katherine Funke, Laura S. M. Chagas, Lúcia Ely Paiva e Taty Guedes Este é o primeiro livro de poesia de Katherine Mansfield (1888-1923) publicado no Brasil. Contém 40 poemas, de diferentes fases da produçãoda escritora neozelandesa que ficou mais conhecida no Brasil e no mundo como contista. Esses poemas raramente chegaram a ser conhecidos, ao serem publicados em jornais ou revistas, ou por terem sido lidos em voz alta pela própria Mansfield, ou aindaenviados por ela a alguém, em alguma carta. A maioria só foi publicada postumamente. No Brasil, Mansfield foi amada por Vinicius de Moraes, Erico Verissimo, Clarice Lispector, Dalton Trevisan e Ana Cristina Cesar e tem sido traduzida, mais recentemente, por escritoras como Nara Vidal e Talissa Ancona Lopez. "Katherine Mansfield, que não se reconhecia como poeta, foi a mesma escritora que usou em seus contos, magnificamente, uma estética imagética que poderia nos remeter, justamente, a poemas. Há na poesia, em sua concepção e prática, o exercício de enquadrar o voo do pássaro. Não a ave; o voo que sopra penas que se perdem e o ruído assustador de asas que se entortam como que se rompessem para alcançar o alto. Nessa elegante coletânea de poemas selecionados de K.M., temos à disposição a tradução cristalina da vida, nostalgia e melancolia de uma das maiores autoras em língua inglesa. Poemas que flagram e capturam o pássaro em pleno voo, num exigente exercício textual e de observação, nos deixando, como na sua prosa, a imagem alimentada por sensações. Exigente consigo mesma, Mansfield não se via como poeta. Para a nossa sorte, sua autocrítica é equivocada."- Nara Vidal Breve e Tediosa Aventura de K. M.Um médico que veio da JamaicaDisse: "Desta vez é tudo ou nada;Vou enchê-la de soroE, se ela não puder aguentar,Vou chamar o próximo agente funerário." Seu locum tenens Dr. ByamDisse: "Certo, velho amigo, vamos tentar,Sou um adeptoDe bombear streptoDesdeque eu era um cirurgião no Sião." A paciente, que veio da Nova Zelândia,Disse: "Façam isso e não tenham pena;Desde que tenham certezaQue não vai mais doer,Eu vou me deitar aqui e sorrir para o teto."Esses dois velhos sanguináriosInjetaram cinco milhões, depois dezMas viram que o streptoDe repente tinha idoPara seus pés - e o pior aconteceu! Um dia desses você vai encontrá-laSozinha em Hampstead, na rua do comércioNuma caixa com quatro rodasE um apito que aborreceAbrindo camin