Ao longo de sua obra, Paloma Vidal construiu uma escrita marcada pelo deslocamento: entre países e línguas, entre a memória e o presente, entre a experiência vivida e sua reinvenção pela literatura. Entre a afirmação e a pergunta, seu novo livro parece nascer de um gesto de aproximação: são escritos dirigidos a alguém - uma irmã, uma amiga, uma amante, uma autora admirada, um interlocutor distante - e fazem da interlocução não apenas um tema, mas um princípio formal. Cada narrativa é atravessadapela tentativa de alcançar o outro, de vê-lo e de se deixar ver. Não se trata, porém, de uma literatura da confidência. O que interessa aqui não é a revelação de uma intimidade, mas os modos pelos quais as relações se transformam em linguagem. Viagens, traduções, cartas, áudios, livros lidos em trânsito, encontros e desencontros amorosos, lembranças familiares: tudo se converte em matéria narrativa, sem perder a sua condição de experiência em movimento.