Ninguém aprende a ler nos livros, todos aprendemos a ler lendo o mundo à nossa volta. Lemos na natureza o tempo que vai fazer ou em que estação do ano estamos; lemos nos rostos e gestos dos que nos cercam se estão felizes, tensos, tristes, irritados; lemos sinais, placas, imagens; lemos cores, sons; usamos nossos cinco sentidos no ato de ler o mundo e somente por isso, um dia, aprendemos a ler a palavra escrita. Ela registra o mundo que lemos e, de certa forma, o recorta, correndo riscos de fixá-lo como um todo ou ampliá-lo a dimensões insuspeitadas. O bom leitor é aquele que estabelece relações, associa fatos e leituras anteriores, analisa contextos e tira suas próprias conclusões. Inspirado em Paulo Freire, que nos lembra que ler o mundo precede ler a palavra, este convite à reflexão - destinado a todos que se comprometem a formar leitores-cidadãos - propõe valorizar a leitura como um processo que transcende o texto, reconhecendo o mundo como suporte literário essencial e compreendendo que todo meio, impresso ou digital, pode despertar o desejo e a prática da leitura, pois toda leitura importa.