Os capítulos que compõem esse livro Relações interculturais BRICS: limiares e transições por um mundo multipolar estão atravessados por essa pergunta e a respondem cada um a sua maneira. O desafio intelectual nessa apresentação implica, portanto, não apenas explorar uma imagem precisa dessas respostas, mas o de localizar a forma de sua expressão num cenário cultural e (in)civilizatório de pura incerteza e em que nos resta apenas vislumbrar formas, modos de representar o que se anuncia como uma espécie de caos e terror pois, historicamente, nenhuma queda de império ou de lógicas culturais dominantes se deu de forma pacífica e negociada. Que língua ou línguas, então, nos permitiria(m) dramatizar esse impacto da emergência BRICS, em que além dos países Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que em 2009 na cidade de Ekaterinburgo - Rússia, realizava sua primeira cúpula, pós-derrocada, em 2008, do Lehman Brothers Holdings Inc ligado ao mundo imobiliário dos Estados Unidos, e para complexificar esse cenário, integraram-se novos membros plenos, a exemplo do Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Etiópia em 2023, e a série de novos membros parceiros firmados na XVI Cúpula de Kazan, Rússia, de 22 a 24 de outubro de 2024, e que, assim, comporia(m) uma espécie de translinguística do caos e da emergência pós ocidental?