Em 1958, menos de três semanas após o falecimento de Pio XII, o Espírito Santo, por meio dos votos dos cardeais, escolheu Angelo Roncalli, patriarca de Veneza, como sucessor daquele. Apesar de já contar à época com 77 anos, João XXIII não foi um "papa de transição", como costumam dizer. A convocação do Concílio Vaticano II bastaria para colocá-lo em lugar de destaque na história da Igreja contemporânea; e, além disso, seu modo de ser e de governar, sua simplicidade e sua humildade transformarama imagem do papado.Para traçar nestas páginas o perfil do "Papa Bom" - como ficou conhecido após sua morte -, Mariano Fazio privilegiou as fontes autobiográficas, pois Roncalli escreveu muito ao longo da vida, deixando-nos vasta documentação na qualdescreve as intimidades de sua alma e a profunda amizade entre ele e o Senhor. Toda a sua postura existencial cristã e busca pela identificação com a vontade divina resumem-se em seu lema episcopal: Oboedientia et pax.