Em 1885, numa época em que mulheres eram relegadas às colunas de moda e culinária, com apenas 21 anos a jornalista estadunidense Nellie Bly decide ser correspondente internacional. Arruma as malas e escolhe a Cidade do México.Com muita coragem e sagacidade, mesmo sabendo de todos os riscos que corria sob o regime ditatorial de Porfírio Díaz, ela exerceu sua profissão com maestria, esmiuçando cada detalhe da capital e do interior de um país que se revelou encantador.O resultado está na crônica da vida pulsante e multicolorida publicada em Seis Meses no México, um retrato das ruas floridas onde os tradicionais serapes indígenas dividiam espaço com luxuosos sapatos de salto altíssimo e os leques de renda da última moda em Madri.Sua narrativa abrange desde a arquitetura impressionante herdada das civilizações pré-colombianas até as influências coloniais europeias, num cenário onde o milenar e o contemporâneo coexistiam e produziam uma sociedade repleta de contrastes marcantes.Nellie Bly mergulhou nessa pluralidade, visitando plantações de agave para ver de onde saía o pulque - a bebida dos astecas -, vilas indígenas, festas de interior, touradas, jardins flutuantes, igrejinhas pitorescas, templos para sacrifícios humanos, mansões de aristocratas e até os presídios, onde soldados e prisioneiros tinham o hábito de fumar "uma erva chamada maconha".Em meio a invasões, guerras e revoluções, o México era um país em transformação. Mais do que admirar seus museus, Nellie Bly, que mais tarde se tornaria um ícone do jornalismo estadunidense, buscava entender a origem de cada cena que via. Assim, Seis Meses no México entra para a história não como mero relato de uma aventura, mas como um dos mais pungentes diários de viagem do século XIX.Boa leitura!