Após a separação, a vida de Karen passa a ser organizada por dias alternados, feriados divididos e natais revezados. A filha circula entre duas casas e a mãe permanece presa a um cálculo interminável. Quanto tempo ainda terão juntas? O que ficará na memória da criança? O que se apaga?Desde a gravidez, atravessada por exames e suspeitas médicas, a maternidade nunca foi um território estável. Surgiram as semanas no hospital, a culpa pelo próprio leite e a sensação de que algo, a qualquer momento, poderia ferir a filha. Depois, a separação. Com ela, uma sucessão de pensamentos intrusivos e fantasias de catástrofe.Sozinha quando a menina está com o pai, ou sozinha mesmo quando estão juntas, Karen oscila entre vigilância extrema e esgotamento. Observa cada gesto da filha como se buscasse sinais de dano, repassando a própria infância e a relação com a mãe.Será que é possível amar profundamente e, ainda assim, falhar?Traduzido por Leonardo Pinto Silva