"O passado, é bom que se entenda, na verdade é um instrumento pedagógico; ele não é uma prisão.O passado serve como ferramenta para nos ensinar como temos que nos conduzir no mundo."No novo título da Coleção Reticências, Ser um bom ancestral hoje, o escritor, professor e ativista indígena Daniel Munduruku reflete sobre nossa relação com o tempo, a memória e a vida em comunidade a partir da própria vivência e ancestralidade. Ao afirmar o presente como espaço de experiência, aprendizado e responsabilidade, verdadeiro tempo vivo que se constrói na relação com a natureza, com os outros e com as gerações passadas e as que virão, expõe aos leitores um contraste com os futuros que idealizamos e os passados que nos aprisionam.Ao tensionar a lógica linear e produtivista que orienta o mundo contemporâneo - especialmente o ocidental -, o livro evidencia que há outras maneiras de viver e compreender o tempo, em que lembrar é também aprender e viver é um gesto coletivo. Entre reflexão, educação e esperança, Munduruku insiste na importância de sustentar a vida no presente, sem romper os vínculos e caminhos que nos conectam a quem veio antes e a quem ainda virá.