Ninguém nasce sabendo amar. Ninguém nasce sabendo desejar.Ninguém nasce sabendo nada, na verdade. A gente só não fala issoporque ca feio na certidão de nascimento. A sexualidade é assim: vai sefazendo no caminho, nos tropeços, nas conversas que a gente deveria ter tidohá anos e não teve porque o assunto mudou de repente para o tempo. Estelivro não veio resolver. Veio sentar do seu lado e falar a verdade, um pedaçodela pelo menos. São 27 vozes, psicanalistas, psicólogas, médicas, juristas,escritoras, que toparam encarar o que a gente adia: o desejo que some semdeixar bilhete, o corpo vigiado por todo mundo menos por quem deveria,o amor que chega em migalhas e a gente ainda agradece, a criança quea internet adultiza antes da hora, o luto quieto de quem não reconheceo lho que imaginou. Tem capítulo sobre fetiche, sobre puerpério, sobrecrime. Tem capítulo sobre fome, a de comer e a outra. Porque tudo issoé sexualidade, e tudo isso é humano. E humano não nasce pronto, vaisendo feito, refeito, às vezes mal feito, e de vez em quando, com sorte ecoragem, bem feito. Porque o que se inventa tem mais de nós do que oque nos foi dada.