As diferentes práticas de linguagem, como a leitura e a escrita, são atividades sociais regradas que possibilitam ao sujeito, a exemplo de um jogador, dispor de peças (palavras, sons e imagens) que estrategicamente significam o mundo, produzem crenças, mitos e verdades em jogos intersubjetivos a partir dos quais se produzem enunciados e discursos, identidades e subjetividades.Na multiplicidade de temas e ideias priorizados neste livro, a proposta de jogar com os signos se coaduna com a proposta de jogar com as nossas próprias concepções e raciocínios. É como se o texto, como expressão e articulação, fosse reflexo dos autores, mas também abertura para que o leitor/receptor faça seus movimentos, desenvolva seu papel, inclusive acrescentandoo que há de si ao ato da leitura. Com base nos lances desse tabuleiro de sentidos, o que fica é que não há vencedores ou vencidos.Os jogos de texto aqui propostos aproximam-se do poema de Eduíno de Jesus, intitulado "Artesania poética", e que diz:Macerar as palavras / Até fazerem sentido./ Depois macerar o sentido / Até fazer palavras. / E depois macerar as palavras / Até fazerem outra vez sentido. / E depois macerar o sentido / Até fazer outra vez palavras. / E depois macerar / Outra vez aspalavras. / E depois macerar / Outra vez o sentido. / . até ficar sem palavras / . até perder os sentidos.