Um romance que transpira música - e igualmente uma das mais vigorosas reflexões contemporâneas sobre identidade. Um músico e escritor angolano chega de trem à fronteira entre Suécia e Noruega. Juntamente com sua banda, ele pretende se apresentar em Oslo. Sem um passaporte válido para mostrar, vivendo num limbo entre as cidadanias angolana e portuguesa desde que escapou da guerra em seu país para poder tocar a vida em Lisboa, ele é detido por tentativa de imigração ilegal e conduzido à delegacia para averiguação. Aflito com a precariedade de sua situação e ansioso para conseguir chegar a tempo para o concerto, começa a se perguntar: como explicar que ele é apenas um pacato artista angolano? Esse é o mote do irresistível romance de Kalaf Epalanga, uma viagem colorida e repleta de memórias pessoais, musicais e literárias em torno da África, Europa e até mesmo do Brasil. "Kalaf Epalanga e o Buraka Som Sistema eram exatamente como eu, filhos de refugiados ou migrantes. Criamos uma cena e um meio de vida que pôs no mesmo nível o produtor pop ocidental e a moçada da periferia, dando uma nova cara aos guetos do Terceiro Mundo." M.I.A.