Entre meados da década de 1950 e o golpe de 1964, o teatro brasileiro passou por um processo acelerado de renovação estética, política e organizativa. Foi nesse período que dramaturgos, grupos teatrais e movimentos culturais se aproximaram das grandes questões nacionais e transformaram os conflitos sociais em matéria artística. Entre esses temas, a questão agrária ocupou lugar de destaque.Em Teatro brasileiro e questão agrária: síntese e ruptura entre 1955 e 1965, Rafael Litvin Villas Bôas investiga como a luta pela terra, o surgimento das Ligas Camponesas, as Reformas de Base e a mobilização popular influenciaram decisivamente a dramaturgia brasileira. A partir de uma análise rigorosa de obras de autores como Oduvaldo Vianna Filho, Augusto Boal, Dias Gomes, Jorge Andrade e Nelson Xavier, o livro reconstrói um momento em que o teatro buscou compreender e intervir nos rumos da sociedade brasileira.A pesquisa demonstra que a questão agrária não foi apenas um tema entre outros, mas um dos principais motores do amadurecimento do teatro político no país. Ao acompanhar a trajetória de peças fundamentais e os debates estéticos de seu tempo, o autor revela como se consolidou uma experiência artística comprometida com a transformação social e como essa experiência foi interrompida pela ditadura instaurada em 1964. Esse ciclo foi um momento decisivo da formação do teatro brasileiro, marcado por avanços estéticos, experimentação formal e crescente aproximação com as lutas populares.No prefácio da obra, Iná Camargo Costa destaca a relevância da pesquisa, afirmando que o livro é "um divisor de águas na historiografia teatral brasileira".Integrante da coleção Arte e Sociedade, esta obra oferece uma contribuição original para os estudos de teatro, cultura brasileira, história social e crítica literária.