Da vencedora do Nobel, um romance que revisita A montanha mágica para criar uma história sem igual que mescla horror, ironia, comédia e parábola feminista. Görbensdorf, Baixa Silésia, 1913. O jovem polonês Miecyslaw Wojnicz, estudante de engenharia de saneamento, chega ao sanatório local em busca de ar puro e de uma cura para sua tuberculose, numa época em que, sem a vacina, só restava buscar repouso absoluto, o clima das montanhas e uma boa alimentação. Hospeda-se no pensionato para cavalheiros de Wilhelm Opitz, onde encontra outros enfermos vindos de todos os cantos do continente europeu. À tarde, embalados por generosas doses de licor, os hóspedes conversam sobre os mais variados temas. Qual a diferença entre o divino e o humano? Haverá guerra no continente? As mulheres nascem inferiores? Existem demônios? É preferível a monarquia ou a democracia? Ao ler um texto de autoria desconhecida, é possível deduzir se foi escrito por um homem ou por uma mulher?Porém, nesse mesmo lugar supostamente idílico passam a acontecer coisas inquietantes: a esposa do dono da pensão aparentemente se suicidara há pouco tempo, circulam rumores de que nas montanhas ao redor ocorrem mortes violentas e intui-se a presença de alguém ou de algo que observa e espreita.Enquanto se fala de assassinatos rituais e de bruxas - as empusas do título - que teriam encontrado refúgio na floresta, Wojnicz caminha ao encontro de forças obscuras que ele não sabe que já se interessam por ele. Pois, em segundo plano desse simpósio de misóginos, eleva-se a voz de uma entidade feminina, onipresente e onisciente.Um século após a publicação de A montanha mágica, Olga Tokarczuk revisita o território de Thomas Mann e se apropria criativamente dele, mesclando história de horror, comédia, imaginação desenfreada e parábola feminista - e tudo construído com um extraordinário brilho narrativo.