Neste tempo de nacionalidades instáveis, em que, depois de movimentos de relativização de limites entre centros e periferias, observa-se o recrudescimento de fechamentos de fronteiras nacionais, faz-se importante revisitar percursos da literatura brasileira, do momento dado como de sua formação até a contemporaneidade. Daí a ideia de se estudar a configuraçãode projetos de escrita delineando territórios textuais na composição móvel da série literária brasileira em seus diálogos com outras artes, fazendo dialogar Alencar e Machado de Assis, Alencar e Mario de Andrade, Machado de Assis e Silviano Santiago e este com Graciliano Ramos. Acolhe-se ainda a produção de Raul Bopp, Clarice Lispector, Augusto de Campos. Autran Dourado, Rubens Figueiredo, Maria Valéria Rezende e outros, para verificar como se configuram seus projetos estéticos, levando em conta a questão do lugar da literatura e seus agentes na formação de territórios. Para isso, comparam-se obrasdos autores em pauta, observando seu movimento dialógico no jogo de produção e recepção uns dos outros, na formaçãode territorialidades, extraterritorialidades, nacionalidades e transnacionalidades. Nesse contexto, examinam-se movimentos antropofágicos entre as obras, seja da antropofagia dada como movimento estético brasileiro, seja a dada como fruto da recursividade natural das culturas, porque constituinte da mente humana. Analisando os processos enunciativos das obras, seus sujeitos, tempos e espaços, observa-se, pois, como se dá a intervenção do intelectual/ escritor/artista no espaço público,com atenção especial para a mudança de seu estatuto e de sua função através do tempo, sempre sob o horizonte da relação entre estética, ética e política, na configuração de uma história constelar da literatura brasileira em seus movimentos centrípetos e centrífugos.