Do autor do bem-sucedido podcast literário Grandes infelicesUm homem espera a morte em um quarto de hospital. Para passar o tempo e amenizar a angústia, ele e seu filho relembram histórias. Não sobre seu relacionamento marcado por ausências e desentendimentos, mas sobre livros - uma paixão comum - e escritores. É como se as conversas criassem os vínculos ausentes entre os dois, como uma última celebração da vida, um lembrete de que o ser humano precisa se narrar para compreender quem é através do limbo entre o mundo real e a imaginação.Em Tinta invisível, misturando ensaio e memórias, Javier Peña empreende uma busca pela vida desses escritores: seus anseios, suas luzes e suas sombras. Virginia Woolf, Nabokov, Susan Sontag, Tolstói, entre muitos outros, falam com ele por meio de suas histórias, e ele ouve. Quer incluí-los nessa conversa quase póstuma com seu pai porque percebe que a literatura também os liga a pessoas que escreveram suas histórias em outro momento e em outro lugar. E que às vezes nós, leitores, somos capazes de ir além da letra escrita e ler a tinta invisível que o escritor deixou na página. Quando conseguimos isso, vislumbramos a verdadeira beleza: talvez esses momentos de leitura prazerosa sejam suficientes para justificar uma vida.