Em seu segundo romance, Jeovanna Vieira constrói uma trama pulsante sobre uma filha à procura do pai e examina o impacto de tudo aquilo que nos assemelha aos que vieram antes de nós - e do que nos separa deles. Afinal, até onde estamos dispostos a ir por quem amamos?Nas ruas do Rio de Janeiro, às vésperas de uma mudança para se tornar a primeira mulher negra a comandar o maior avião de passageiros do mundo, a narradora de Toda caixa-preta é laranja precisa encontrar o pai, Viola, que viajou para ajudá-la a fechar o apartamento, mas desapareceu. O marido e os filhos já estão de malas prontas, mas ela vê seus planos de embarcar sendo adiados à medida em que cai no que chama de "buraco dos Viola".Quando as vias legais se mostram insuficientes, a protagonista aceita a oferta de um policial-miliciano para uma investigação "por fora". Nessa busca frenética, ela esmiúça memórias como a perda da mãe, a morte do irmão e o momento em que passa a ser criada pela babá - uma adolescente "apanhada" no sul da Bahia para cuidar da casa e "olhar a menina" -, e a forma como Viola enfrenta as próprias sequelas. Ao colocar em perspectiva a perpetuação de traumas e nossas estratégias de redenção, este romance vulcânico explora a formação do vínculo entre pai e filha, as tentativas de conversa e o legado transgeracional que reside no não dito, mas aparece intermediado por letras de sambas e ditados populares."A um só tempo brutal e doce, este é um romance brilhante que acolhe destroços e sonda o que cada um consegue fazer de melhor com o que a vida lhe dá. Toda caixa-preta é laranja consolida Jeovanna Vieira como uma das melhores escritoras de sua geração." - Giovana Madalosso