Tudo é Falso, oitava coletânea de Ricardo Lima, mantém algumas características da sua poesia, como os versos enxutos em poemas curtos, líricos, sem título. Agora, porém, há menos abstração e mais indignação, mais espanto diante dos absurdos de um mundo dominado pelo fake, pela aparência. Nesse Tudo é Falso temos a decepção com uma humanidade apodrecida e um planeta em queda, mas também o lirismo dos livros anteriores, notadamente em passagens relativas à infância, à família e à contemplação da natureza. Afinal, "ainda há palavras / para aninhar num gesto mínimo // toda descrença e seu contraste / com o imenso amanhecer".Ilustrações: Lygia Eluf