Quem gosta de poesia? Quem liga para filosofia? Quem tem tempo para espiritualidade? Séculos e séculos de doutrinas enrijecidas (ou até milênios, no caso do oriente) deixaram essas questões altamente mortificantes para a pessoa contemporânea, que tem mais o que fazer do que escutar a lenga-lenga sem sentido dos dogmas religiosos tão políticos e ultrapassados. Espiritualidade, porém, é algo vivo, dinâmico; é algo que existe muito anteriormente a qualquer credo ou culto e que está presente em cada um de nós. Antes de Platão cometer a gafe de inventar um mundo intangível e perfeito, os deuses viviam entre nós, e cada qual tinha sua função no mundo, e tudo era divino, não por ser perfeito, mas por ser real. Estes deuses, que comiam, dormiam, sangravam, erravam, sofriam, trepavam. eles eram a espiritualidade humana em sua completude e excelência: espelhos perfeitos, não de nossas ideias, mas de nossa intransponível condição. Desde que os filósofos começaram a bani-los da terra, as religiões do ocidente têm tido o mesmo objetivo das do oriente: a fútil tentativa da transcendência desta realidade para uma outra, que promete uma imóvel e tediosa perenidade. Este livro faz o caminho contrário - do céu à terra, convida os deuses a descerem do Olimpo, os Budas a voltarem ao Samsara, a espiritualidade a ser o que sempre foi: material, como nós.