Por décadas, o silêncio soterrou um dos capítulos mais sombrios da história brasileira. Entre 1946 e 1988, enquanto o país perseguia um projeto de "progresso", pelo menos 8.350 indígenas foram mortos sob a égide direta ou a omissão do Estado. Esta obra mergulha nas entranhas do Relatório Figueiredo - redescoberto após 45 anos de desaparecimento - para revelar massacres, torturas no "tronco" e remoções forçadas que visavam a "desindianização" do território. Como os povos originários foram transformados em "inimigos internos" da segurança nacional? Através dos casos Kayabi, Xetá e Yanomami, o autor expõe a engrenagem de uma violência institucionalizada que não foi acidental, mas sistêmica. Este livro não é apenas um registro histórico; é um acerto de contas que confronta a "autoanistia" militar com o direito inalienável à memória e à verdade. Em tempos de novos cercamentos jurídicos, esta leitura torna-se vital para compreender que a justiça de transição no Brasil permanecerá inacabada enquanto o esquecimento forçado prevalecer sobre a reparação histórica. Uma obra necessária para quem busca justiça onde o Estado tentou impor o apagamento.