Há experiências que não encontram lugar na linguagem cotidiana. Permanecem à margem do que se diz, atravessando o corpo e o pensamento sem alcançar forma imediata.Nas histórias reunidas neste livro, a maternidade se apresenta em sua dimensão menos visível: aquela que não se sustenta na idealização, mas nas tensões que a constituem. Culpa, exaustão, ambivalência, silêncio. Elementos que não se anulam, não se resolvem por completo e, ainda assim, pedem reconhecimento.A partir de sua escuta clínica e amorosa, Laís Rua conduz narrativas que não se organizam como resposta. Há, em seu percurso, um compromisso com a integridade da experiência sem deslocamento do que insiste.Este, com certeza, não é um livro sobre o que a maternidade deveria ser.Mas é um livro sobre o que, muitas vezes, ela é.