Neste ensaio de interpretação sociológica, Sérgio Abranches expõe como a mentalidade de casa-grande firmou-se ao longo da história do país como uma instituição de poder e encontra na parcela social apartada historicamente a maior fonte para inovação e incorporação de novas perspectivas para a sociedade brasileira."Nosso presente está saturado de passado", escreve Sérgio Abranches. Neste livro ensaístico, o autor de Presidencialismo de coalizão desenvolve a hipótese de que a mentalidade da casa-grande, patriarcal e escravocrata, está associada a uma pulsão autoritária, cuja presença resiste ao longo de nossa história, agindo em períodos diferentes como freio aos avanços de inclusão social e relegando grande parte do povo à "terceira margem".Em sua interpretação analítica, Abranches parte da origem racista e machista da formação histórica do Brasil para desvendar a atuação das elites dominantes na agenda social e política do país, passando por momentos decisivos na constituição democrática até o golpe bolsonarista. A atualização das forças arcaicas de poder ressurge nas contradições de nossa democracia e a crise política cresce em meio à ruptura do sistema partidário como era conhecido até 2018. No contexto dessas transformações, resta saber o que não podemos mais carregar de nosso passado, qual caminho marcará nosso presente e que futuro queremos construir.