Treze pessoas que passaram pelo sistema prisional paulista - dez homens e três mulheres - compartilham suas memórias em depoimentos que percorrem três fases de suas vidas: o período anterior à prisão, marcado essencialmente por condições de vulnerabilidade social; a experiência do encarceramento, com suas regras e estratégias de sobrevivência; e o retorno à liberdade, quando se deparam com o estigma e as dificuldades de reinserção.As entrevistas, realizadas pelo psicólogo Arlindo da Silva Lourenço, pelo jornalista Daniel Navarro Sonim e por Maurício Monteiro, sobrevivente do massacre do Carandiru que também atua como entrevistado, compõem um conjunto de relatos que escancaram o funcionamento do sistema prisional e suas consequências sobre segmentos historicamente marginalizados pela justiça. Dos relatos, emergem aspectos do cotidiano nas prisões, as relações entre os indivíduos e os mecanismos de adaptação ao ambiente carcerário. Calças bege oferece elementos para refletir sobre os efeitos reais da pena e sobre as formas de resistência possíveis dentro e fora dos muros da prisão.