Sobre o que é este livro? Num discurso voltado a acadêmicos, o papa Francisco utilizou-o para distinguir entre um modo positivo e outro nocivo de fazer ciência. Mies van der Rohe - um dos expoentes da arquitetura modernista - o tinha como um dos livros que mais o influenciaram. Hoje, não é possível ler estas cartas e não pensar na questão ambiental. Parece que difícil mesmo é responder sobre o que este livro não é.Os problemas que Romano Guardini levanta nestas cartas estão no centro de uma trama em que inúmeros assuntos se cruzam. No fim das contas, trata-se de uma meditação sobre a cultura - e, portanto, de um livro que dialoga com campos como a ciência, a arte, a espiritualidade, a filosofia, a política e a ecologia. De fato, redigidonos anos 1920, é um dos primeiros textos a refletir criticamente a respeito do impacto humano sobre o meio ambiente.Numa escrita pungente e até mesmo poética, carta após carta, como quem abre o coração a um amigo, Guardini nos oferece chaves de interpretação preciosas, que permanecem válidas e luminosas mais de cem anos depois. Por isso, é um texto que merece ser resgatado, nesta que é a sua primeira tradução para a língua portuguesa.