Esta obra apresenta-se como um importante recurso para o conhecimento da temática Crianças filhas de pessoas privadas de liberdade e sua relação com a escola, considerando que os profissionais que atuam na educação necessitam conhecê-las. É um tema que precisa ser amplamente discutido na área, e, para que isso aconteça, propomo-nos a contribuir com esse processo, discorrendo sobre o assunto e relatando uma experiência vivida em um município brasileiro.Crianças filhas de pessoas privadas de liberdade apresentam características peculiares que as diferenciam das demais dentro dos espaços escolares. Por isso, elas precisam ser conhecidas e reconhecidas, para que suas dificuldades de relacionamento e de aprendizagem possam ser amenizadas.A escola é um dos ambientes mais importantes na socialização das crianças, podendo contribuir de forma significativa para a superação das dificuldades vivenciadas. A educação desse grupo de crianças precisará estar pautada no respeito, no acolhimento das diferentes relações familiares existentes e no impacto do encarceramento sobre elas. É necessário reconhecê-las como sujeitos de direitos e entender que o fato de seus pais e mães estarem em uma situação de privação de liberdade não pode negar-lhes seus direitos.Nos espaços escolares, caberá à identificação desse grupo de crianças, tirando-as da invisibilidade e dando a elas todo o suporte necessário para que possam aprender e se desenvolver. O processo de escolarização poderá, de alguma forma, amenizar as dificuldades enfrentadas por elas, a começar pela superação do preconceito atribuído a elas e aos seus familiares. Assim, a educação precisa ser planejada e organizada para atender a todas as diferenças e desigualdades.