A abordagem da cultura e da noção da sua crítica nos seus vieses interseccionais com a Literatura e os estudos literários constitui um genuíno fio de Ariadne da contemporaneidade,-por conta dos caminhos e descaminhos que esse processo vai impor em forma de desafio a quem se aventurar a trilhá-lo. Sem se descurarem os sentidos que foram forjados e incorporados a "cultura" pelos séculos e milênios afora, pois eles já são parcelas inalienáveis do termo, acorre-nos à mente neste passo o traço fundador da Literatura Comparada (LC), enquanto disciplina acadêmica, no século XIX, na França, qual seja: o ímpeto de estabelecer relações comparativas entre literaturas nacionais, por meio do estudo de temas e gêneros selecionados que figurassem nos materiais ficcionais de um e outro país que estivessem em escrutínio. Por mais reduzido que fosse esse escopo, a LC em si já deu um primeiro passo na direção do "outro" e da sua cultura, em que pese o caráter eurocêntrico que ainda prevalecia no ar. Delá para cá, as certezas cartesianas do Século das Luzes que continuaram vicejantes no século oitocentista adentraram uma nova era e foram submetidas aos solavancos, guerras e crises do século XX, processo este que não deixou incólume a Literatura, acultura e todas as áreas do conhecimento e atuação humana. Notadamente no rastro do pós-Segunda Guerra Mundial, os Estudos Culturais surgem na Inglaterra dos anos de 1950, com fortes vínculos com a literatura inglesa, a educação de adultos, a sociologia e a inclusão das práticas culturais, do cotidiano e das experiências da classe operária. Com a influência avassaladora da Segunda (1960-1980) e Terceira Ondas do Feminismo (1990-2010), assim como dos movimentos emancipatórios de minorias étnico-raciais, sexuais, políticas, dentre outras, a sociedade, a cultura e a literatura foram problematizadas em grau superlativo.
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