Há romances que tentam reconstruir a história; outros preferem perseguir os seus fantasmas. É nesse território instável - onde memória, paixão política, exílio e luto se confundem - que se move Crônicas de uma guerra inacabada, de Paulo Martins. Maisdo que um romance sobre a ditadura brasileira, trata-se de uma longa travessia interior, conduzida por um narrador que transforma a busca amorosa numa investigação obsessiva sobre desaparecimento, culpa e sobrevivência.Anos depois de deixar o Brasil, Abel percorre Paris, Bruxelas e outras cidades europeias tentando reconstituir os últimos passos de Florence, militante francesa desaparecida nos subterrâneos da repressão brasileira. O que começa como uma investigação sentimental gradualmente seconverte num mergulho vertiginoso nos mecanismos da violência política, nos labirintos da clandestinidade e na experiência dilacerada do exílio. Ao longo dessa deriva, o protagonista encontra personagens marcados pela derrota, pela esperança revolucionária e pelas cicatrizes de uma geração que acreditou ser possível reinventar o mundo.