Em Diário de um perfumista, através de relatos íntimos e espontâneos, o perfumista da Hermés, Jean-Claude Ellena, registra o seu cotidiano invejável. "Um prazer compartilhado" - esta é a definição de luxo para Jean-Claude Ellena e poderia ser também a definição de um bom perfume. Neste Diário de um perfumista entendemos por que a perfumaria é um mercado tão atraente e um ofício ao mesmo tempo artístico e artesanal, que pressupõe uma mente criativa, educada e vasta, além de um nariz bem-treinado.Em seu escritório em Cabris, Ellena se inspira, responde e-mails, concede entrevistas e recebe informes comerciais que dizem respeito a suas criações. Como optou por se afastar dos centros de decisão das empresas (uma forma de estimular a criatividade, estando mais perto da natureza), lida com a solidão de maneira produtiva. A complexidade de seu trabalho - muitas vezes a fórmula de um perfume tem mais de duzentos ingredientes - demanda sensibilidade, testes, leituras e estímulos.Ellena arrebata o leitor com sua erudição e simplicidade, com suas histórias de como ingressou na carreira de perfumista, suas viagens, memórias familiares e outras tantas lembranças poéticas. E nos surpreende ao relatar como consegue resultados que fisgam as pessoas com seus perfumes atemporais, em uma sociedade que corre atrás do tempo e da renovação incessante da moda. Ellena trata o perfume como um objeto de arte, como uma emoção, uma fugacidade que dura o tempo de uma respiração. Em uma analogia com o haicai, define o perfume como "um repentino arrebatamento na direção do imprevisível".Acompanhado de um maravilhoso Breviário de aromas, um convite a justapor os materiais que, em conjunto, produzirão a ilusão do jasmim, da pera ou do algodão-doce, seu Diário de um perfumista é um elogio à intuição, à curiosidade e à imaginação.