Nos últimos anos, o mundo tem assistido a uma progressiva revolução nas formas de comunicação política. Se antes os eleitores eram consumidores passivos da propaganda política, na era das eleições digitais cada eleitor é, potencialmente, um produtorde conteúdo, difusor de mensagens, propagandista e mobilizador da esfera pública. Com um simples smartphone, qualquer cidadão passou a ter a capacidade de informar e desinformar.Na era da hiperconectividade e da inteligência artificial generativa,um verdadeiro "tsunami" de informações e desinformações faz com que a constituição de uma esfera pública pautada no embate livre e respeitoso de ideias se torne cada vez mais difícil. As fronteiras entre verdade e mentira têm se tornado cada vez maistênues, dificultando a compreensão das pessoas acerca dos fatos políticos e sociais relevantes. A disseminação de discursos de ódio e a proliferação em massa de conteúdos desinformativos encontram terreno fértil, desafiando a normalidade e a legitimidade das democracias.A riqueza e a complexidade do debate sobre o uso e a disseminação das novas tecnologias digitais nas eleições é o objeto desta obra, a qual aborda reflexões sobre os desafios e as possibilidades do uso da inteligência artificial nas eleições brasileiras, os obstáculos para a busca da verdade na política na era da infocracia, os paradoxos da liberdade de expressão nas eleições pós-modernas e as possibilidades de uso dessas novas tecnologias de forma benéfica ao desenvolvimento democrático.Qual o futuro das eleições brasileiras diante dos impactos gerados pelas novas tecnologias digitais e por esta verdadeira revolução comportamental e comunicacional impulsionada pelas redes sociais, pela inteligência artificial generativa e pela dominação da esfera pública pelos algoritmos? O leitor está convidado a refletir!