A leitura dos textos que compõem esta coletânea nos conecta com a história, desde o início do processo de colonização às primeiras décadas do século XIX, possibilitando a pesquisadores - por meio de análise sócio-histórica do português, mais especificamente do português brasileiro - ter contato com fontes manuscritas produzidas em diferentes épocas e por diferentes agentes sociais. Ao ler os 12 capítulos que compõem esta coletânea, além da apresentação, percebo nitidamente o significado da frase"tecendo o fio da história". Uma metáfora que cabe perfeitamente nas várias histórias de vida aqui analisadas, articulando as narrativas ao processo de fiação em suas várias etapas, convertendo as fibras em fios - da cardação à fiação - e, por fim,o entrelaçamento destes para a formação do tecido. Louvo a iniciativa dos organizadores e reforço a importância do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão e do Núcleo de Estudos de Língua Portuguesa da UEFS, que têm papéis importantes na difusão do conhecimento produzido no interior da universidade. Lendo estas páginas - e aproveitando o que os autores possibilitaram ao longo dos textos -, me senti exercitando o que, metaforicamente, CarloGinzburg chamou de revelação da analogia entre inquisidores e antropólogos/historiadores, ou seja, olhando por cima dos ombros dos scriptores, buscando compreendê-los para além da reprodução do discurso. Grayce Mayre Bonfim Souza - Professora Plena da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - Departamento de História - Programa de Pós-Graduação em Ensino de História - Laboratório de Estudos, Documentação Inquisitorial e Sociedade de Antigo Regime
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