Aos 16 anos, Lena se casa com um senador. No Rio de Janeiro das décadas de 1950 a 1970, o marido articula sua interdição por insanidade. A história desliza para um território nebuloso, onde crime, desespero e sobrevivência se confundem. Erro de Pessoa é um romance sobre o poder e o uso da loucura como forma de controle.Erro de Pessoa inscreve-se na vertente psicológica da ficção que investiga a experiência interior não como esfera isolada, mas como campo onde se inscrevem pressões morais, sociais e institucionais. A trajetória de Lena é a história de crimes e de uma consciência sitiada.A categoria jurídica que dá título ao livro, "erro de pessoa", desloca-se do vocabulário matrimonial para a dimensão existencial: o erro está também no descompasso entre subjetividade e norma, entre desejo e papel social.O romance explora a instabilidade da identidade, a opacidade da motivação e o conflito entre interioridade e ordem social. Como em obras que fizeram da consciência um território dramático - onde culpa, desejo, delírio e lucidez coexistem -, também aqui se evitam respostas. A loucura não aparece como zona de indeterminação, mas como campo atravessado por relações de poder.O romance combina experiência interior e planos de observação externa, produzindo fricção entre vivência e relato, entre consciência e arquivo social. Ao integrar drama psicológico, crítica institucional e reconstrução histórica, Erro de Pessoa retoma a tradição que fez da literatura um instrumento de exploração das zonas obscuras da subjetividade - em que a vida interior revela as estruturas invisíveis do mundo social.