Entre margens que se aproximam, esta obra nasce como Travessia. Tecida a partir de uma pesquisa qualitativa colaborativa, Marcia de Cássia Santos Mendes, a autora, entrelaça fios discursivos que revelam significações e ressignificações das práticas pedagógicas de professoras alfabetizadoras após o Pacto-BA, o PNAIC e o Ensino Remoto Emergencial. Nesse percurso, leitura e escrita deixam de ser apenas objetos de ensino e se apresentam como experiências vivas de linguagem, construídas na interação,na escuta e no movimento reflexivo entre teoria e prática.Ao longo do caminho, uma polifonia de vozes se faz presente: professoras, crianças, experiências formativas, documentos curriculares - como a BNCC e o DCRB -, referenciais teóricos e a própria trajetória da autora compõem uma tessitura que se constrói no diálogo. Sob inspiração freireana, bakhtiniana e vygotskyana, a mediação, a autoria, a dialogia e a compreensão responsiva emergem como possibilidades de ressignificação da práticapedagógica e da própria sala de aula. Nesse movimento, a escrita ocupa lugar central, jamais deslocada da leitura, compreendida como prática social e discursiva, produzida em interlocução com o outro, com o mundo e consigo mesmo.Não se trata de comandar a leitura ou a escrita, mas de mediá-las, sustentadas pela escuta sensível que torna possível ensinar e aprender de forma colaborativa, tanto na sala de aula presencial quanto nos espaços virtuais.