Esta obra, resultado de muitos encontros e agenciamentos afetivos, de pensamentos, de fluxos e muitos outros, vem agregar e erigir um campo científico brasileiro no interior dos estudos da infância denominado geografia da infância, da juventude e dasfamílias. Um encontro sobre geografia não é um encontro somente de geógrafos, mas, sim, um encontro daqueles que pesquisam como os territórios são habitados, subjetivados, e mesmo como os territórios são desterritorializados, como dizia Deleuze: "não há território sem um vetor de saída do território, e não há saída do território, ou seja, desterritorialização, sem, ao mesmo tempo, um esforço para se reterritorializar em outra parte" (Gilles Deleuze, em entrevista em vídeo). Há espaços por todaparte: o pensamento é espacial, as instituições são espaços estriados ou lisos, subjetivamos e somos subjetivados nos espaços. Uma geografia das crianças, dos jovens e das famílias é todo um amplo campo científico relevante e essencial para as ciências humanas, pois as práticas sociais, as guerras, as lutas, os projetos políticos de libertação dos desejos, dos corpos, da arte, da criação e da produção de subjetividade se dão nos espaços e nos inúmeros territórios imaginados e reais.