A apreensão da práxis educacional na Amazônia exige a superação de visões fragmentadas e o mergulho nas contradições inerentes à totalidade social. Nesta obra, Ednaldo Rodrigues e Anselmo Colares empreendem uma rigorosa análise crítica acerca do calendário escolar diferenciado instituído nas escolas de várzea de Santarém, Pará. O que originalmente se configurou como uma estratégia de acomodação institucional à sazonalidade hidrológica e um esforço para incluir estudantes na escolarização, revela-se, sob o crivo do Materialismo Histórico-Dialético, como um vetor de assimetrias sociopedagógicas. Dialogando com a Pedagogia Histórico-Crítica, os autores desvelam a categoria da "Inclusão Escolar Excludente" a partir das vozes e das determinações materiais dos sujeitos concretos da sub-região do Aritapera. A investigação descortina o descompasso temporal que obstaculiza os prosseguimentos nos estudos aos ribeirinhos. Longe de reduzir o fenômeno a um mero entrave burocrático, o livro expõe as fraturas de políticas públicas homogeneizadoras frente às singularidades ambientais amazônicas. Trata-se de uma leitura indispensável para intelectuais, gestores e educadores engajados na superação da exclusão velada, em busca da oferta escolar pública dotada de autêntica qualidade social.