O final do período colonial foi marcado, em Pernambuco, por agudas tensões políticas e sociais que refletiam as dinâmicas da longa formação histórica da capitania/província.Recife, Olinda e outras vilas pernambucanas foram o cenário para algumas das mais radicais manifestações de contestação ao absolutismo da dinastia dos Bragança e às estruturas coloniais.Nesses embates, um tema foi recorrente: a fiscalidade. Essa era uma questão sensível em uma capitania sobrecarregada por tributos e "donativos" desde o século XVII e que se tornou ainda mais candente após a transferência da família real portuguesa para o Rio de Janeiro.Durante todo o período em que se desenrolou o movimento da Independência e o início da formação do Estado nacional brasileiro, o debate e as disputas relativas à fiscalidade estiveram sempre na pauta do dia.No presente livro, Daiane Alves nos conduz, com um texto leve, muito bem embasado e esclarecedor, pelas resistências dos habitantes de Pernambuco aos intricados mecanismos de tributação num período crucial de nossa formação histórica.É uma leitura indispensável para compreender melhor as raízes históricas de um tema muito presente em nosso cotidiano atual.- George F. Cabral de Souza,Professor Titular da UFPE e pesquisador do CNPq-*-*-Ao longo da história, taxas e encargos foram vistos como um guante opressivo colocado sobre os ombros de súditos, contribuintes e cidadãos. Tema difícil, penoso, quando não assunto para se evitar, diante daqueles mais sedutores, como as ideias políticas e as identidades coletivas.Um olhar mais atento, entretanto, nos revela que a oposição ao fisco, eclodindo frequentemente em insurreição aberta, tracionou os furores populares, fornecendo o combustível de revoltas e revoluções. Não por acaso, a complexa relação entre justiça fiscal e representação povoou a reflexão de filósofos e ativistas políticos, estando no cerne da construção das democracias modernas. Afinal, como pensar as identidades políticas sem passar pelos seus fundamentos materiais?Esse é um livro que fala da formação do Brasil, procurando entender seus avessos e suas costuras. Ele é uma demonstração da artesania de uma historiadora que não se conforma com a fragmentação dos objetos em escaninhos acadêmicos (história econômica, história administrativa, história política, história social), mas percebe que vale a pena viajar pelos territórios de fronteira. Eles trazem para o viajante imensas questões e largos horizontes. Boa l