Lugares por que passei: autoficção e memóriaA obra transcende o formato tradicional de livro de viagens para se estabelecer como uma autoficção sensível e introspectiva, entrelaçando destinos físicos - como Roma, Barcelona, Lisboa e o sertão brasileiro - com a geografia emocional da autora, revisitando memórias de infância e a figura marcante de seus pais, Imaculada e João Augusto. Utilizando o alter ego Boaventura em diversas crônicas originalmente publicadas em jornais, cria-se um diálogo fluido entre o passado nostálgico e o presente.Finitude e criseO livro aborda com honestidade brutal temas de alta densidade emocional, como o diagnóstico de câncer, a convivência com a apneia do sono e os desafios do isolamento social durante a pandemia de Covid-19. Sem medo, descreve-se o medo da morte e a luta pela saúde não como derrotas, mas como catalisadores para agasalhar a vida e reordenar prioridades. Olhar feminino e crítica socialPara além das experiências pessoais, a obra se destaca pelo posicionamento crítico e feminista da autora frente ao etarismo e à violência contra a mulher. Seja denunciando o machismo estrutural no ambiente corporativo ou refletindo sobre a invisibilidade da mulher na idade da transparência, Neusa Arruda utiliza suas crônicas para dar voz a questões sociais urgentes. As viagens e a gastronomia servem como pano de fundo para observações agudas sobre o comportamento humano, fazendo deste livro uma leitura que equilibra a leveza do turismo com a profundidade da crítica social.TópicosCrônicas emocionantes que entrelaçam viagens pela Europa e Brasil com lembranças profundas da infância sertaneja e o legado dos pais.A coragem de encarar diagnósticos graves e o isolamento da pandemia, transformando o medo da morte em um manual de amor pela vida.Um olhar crítico e necessário sobre o lugar da mulher na sociedade, denunciando o etarismo e a violência com ironia e firmeza.