Quando um clássico da sociologia brasileira encontra a linguagem dos quadrinhos, o resultado é ao mesmo tempo um retrato histórico e um instrumento de ensino: Nordeste: Uma visão em quadrinhos da Civilização do Açúcar transforma o ensaio seminal de Gilberto Freyre numa narrativa gráfica que equilibra informação, sensibilidade e força visual. A adaptação é assinada por André Balaio e Roberto Beltrão, com desenhos, cores e arte-final de Luciano Félix - time que entrega ao leitor uma leitura acessível sem diluir a densidade do original.A HQ busca atualizar o original com sensibilidade, preservando a essência do pensamento de Freyre e incorporando as necessárias inquietações do presente, especialmente no tratamento da presença e da história dos povos negros e indígenas na formação regional. Essa preocupação aparece tanto nas escolhas narrativas quanto nas sequências visuais que problematizam e contextualizam a herança social da cana-de-açúcar. O volume quadriniza paisagens, ritmos e contradições: secas e cheias, engenhos e senzalas, festas e labutas. A HQ relembra a gênese do ensaio de Freyre e se situa como uma releitura contemporânea desse monumento literário. Privilegia a combinação entre descrição histórica e sequência visual: páginas que funcionam como mapas afetivos da região - ora explicativas, ora líricas - em que balões, onomatopeias e quadros se somam para explicar processos ambientais, sociais e econômicos. Valoriza a didática dos quadrinhos, propondo a obra tanto para leitores curiosos quanto como recurso pedagógico para o ensino de história, geografia e sociologia. O livro está organizado em capítulos temáticos: "A cana e a terra", "A cana e a água", "A cana e a mata", "A cana e os animais" e "A cana e o homem" - que guiam a leitura por territórios e conceitos centrais à "civilização do açúcar". Por que ler?Porque a HQ oferece uma ponte - pedagógica e estética - entre o clássico e o leitor moderno: é leitura para estudantes, professores, pesquisadores e qualquer leitor interessado em entender como paisagens e modos de vida se entrelaçam com economias, culturas e memórias. É também uma obra que mostra como os quadrinhos podem ser uma forma séria de divulgação científica e histórica, sem abrir mão da potência narrativa e visual.