No alvorecer do século XX, em um ambiente ainda moldado pela história política e pela retórica oficial do Império, O Descobrimento do Brasil impõe-se como uma ruptura consciente com a tradição celebratória. Longe de se restringir ao relato do episódio de 1500, a obra funda um novo regime de investigação histórica no país e afirma a autonomia intelectual de Capistrano de Abreu frente ao historicismo romântico e à história-crônica então hegemônicos.Ao deslocar o centro da análise dos feitos da Coroa para os processos de longa duração, o livro redefine o próprio objeto da historiografia brasileira. Em lugar de heróis, emerge a formação complexa e mestiça da sociedade, inaugurando, de modo decisivo, a reflexão crítica sobre as origens e a identidade nacional.