O Mercador de Veneza apresenta uma recolocação histórica e temporal do clássico de William Shakespeare. Ambientado na década de 1990, o texto busca estabelecer relações entre a obra do bardo e os processos de globalização e digitalização pelos quais o mundo passava próximo da virada do século. A figura do judeu Shylock ganha contorno mais capitalistas do que propriamente mercantilistas, enquanto a imagem do mercador Antônio atende a uma imagem antissemita em resposta a um movimento que crescia entre fins da última década do século passado."Mais que uma adaptação fiel, trata-se de uma reinvenção dramatúrgica que escancara como os vícios do passado persistem em nosso presente." (Claudia Chaves - Veja Rio) "A tradução e a adaptação do texto, assinadas por Bruno Cavalcanti, se destacam pela fluidez dos diálogos e por uma sintonia fina muito elegante com a atualidade. A força original do bardo não se perdeu, a poesia se tornou mais arrebatadora. As palavras soam com a força própria da velha arte da cena, poção mágica ideal para ressuscitar as plateias contemporâneas, envenenadas por doses colossais de modernidade árida." (Tânia Brandão - Folias Teatrais)"A mais ousada concepção brasileira realizada até hoje de O Mercador de Veneza a partir de uma artesanal adaptação de Bruno Cavalcanti e de uma instigante direção de Daniela Stirbulov." (Wagner Corrêa de Araújo - Escrituras Cênicas)